Apesar de altamente desenvolvido, o homem está sempre a mercê de suas ambições e necessidades. Enquanto alguém tem propriedades para plantar tomates, muitos não têm nem ao menos tomate para comer.
O que podemos notar é que o capitalismo está por trás de tudo. É preciso ganhar. Não basta fazer apenas para o sustento. E neste caso, o lucro, apesar de um dia já ter sido proibido pela igreja católica, é a meta principal de qualquer capitalista que se preze. O meu porco é mais importante. Se não engordá-lo o suficiente não alcançarei um bom preço. Neste momento o tomate podre passa a ter valor, primeiro para o dono dos porcos, depois para os miseráveis que aguardam na fila a sua vez de explorar o lixo. O dinheiro vence a ética e a fome também. Aliás, lixo é tudo aquilo que é produzido pelo homem e que “não serve para ele”. Lixo é perigoso. Pode trazer doenças para a população. Enquanto uns fogem do lixo, outros dependem dele para sobreviver. Nem mesmo as flores perfumadas da Ilha, que já são raras, podem eliminar o “mau cheiro” mostrado pela situação. A Ilha das Flores é apenas uma pequena amostra do que ainda hoje acontece em outros lugares, seja no Brasil ou em outros países. Enquanto poucos são donos de muito, a grande maioria vive em condições sub-humanas, dependendo da boa vontade dos outros ou de entidades filantrópicas preocupadas com as questões sociais. Antes de cercar ou dar um tratamento adequado para o lixo, é preciso dar condições para as pessoas que vivem do mesmo. Não dá para pensar em igualdade social sem a participação efetiva dos governantes. É ético jogar lixo em uma ilha? É ético dar os restos dos porcos para mulheres e crianças? Do ponto de vista do dono dos porcos é. Ao menos é o que o filme mostra. Parece que ele tem certeza de que está fazendo a parte dele. Até organizou a entrada das pessoas. São cinco minutos para recolher o máximo de “alimento” que puder. O que será dos miseráveis das muitas Ilhas das Flores existentes pelo mundo, quando o lixo for destinado corretamente em um aterro sanitário? Sem esquecer o dono dos porcos que terá que comprar alimento para tratar da sua vara, ou então colocar seu cérebro altamente desenvolvido para funcionar e passar a plantar tomates. A questão ambiental também está presente no filme a partir do momento em que trata da questão do lixo e sua destinação final. Deixando claro que a Ilha não seria o melhor lugar para a disposição do lixo. Talvez quem teve a ideia tenha pensado apenas na questão humana, manter o lixo o mais longe possível da população, mas com certeza não foi a melhor solução. É possível tratar o lixo de maneira que as pessoas que hoje se alimentam de restos nele encontrados, possam sobreviver do mesmo, através de um trabalho digno. O caminho para isso é a reciclagem, seja através de cooperativas ou mesmo de ações isoladas, onde cada um recolhe o lixo reciclável, transforma, vende e aí sim, poderá desfrutar de uma verdadeira salada de tomate.
