Ruído pode causar dependência, diz estudo
Em estudos feitos por especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a conclusão foi que o ruído alto pode causar uma espécie de dependência. O processo começa quando o ruído chega a 55 decibéis e os estímulos químicos começam a produzir noradrenalina afirma Fernando Pimentel-Souza, doutor em psicofarmacologia pela Unifesp, um neurotransmissor que proporciona energia e disposição. Ao atingir cerca de 80 decibéis, a endorfina começa a ser liberada e age como sedativo e calmante. A partir daí as sensações de bem-estar causam uma espécie de dependência química do barulho. Isso explica o fato de que pessoas que trabalham em lugares ruidosos, não suportam ficar uma semana na praia.
O fato é que o ruído é extremamente prejudicial à saúde. Os efeitos podem afetar desde sua capacidade de concentração, zumbido no ouvido e até problemas sexuais.
Nas empresas existem trabalhos preventivos através de treinamentos e em último caso, adoção do EPI - Equipamento de proteção individual (protetores auditivos). O grande problema é fora do trabalho. Muitas pessoas têm hábitos de ouvir músicas altas. Outras fazem trabalhos extras em atividades barulhentas e não fazem uso do protetor. As consequências aparecerão nos exames audiométricos realizados periodicamente pela empresa, porém as causas da perda, se não forem eficientemente investigadas, podem gerar problemas futuros para a empresa. Por isso, é importante saber quais são as atividades dos funcionários fora do parque industrial e, a partir desse estudo, estabelecer uma estratégia que envolva até mesmo a família do trabalhador.
Fazer um trabalho árduo de conscientização é o primeiro passo para prevenção de perda auditiva. O segundo passo é escolher um bom protetor auricular. O fato é que se você comprar um equipamento que cause irritação ao ouvido do trabalhador, ninguém o usará. Apenas fingirão estar usando.
Se causa dependência ou não, a verdade é que o ruído está presente em muitos ambientes de trabalho e deve ser uma preocupação constante dos prevencionistas.

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