Gestão de Riscos no Hidrojateamento: passo a passo NR-1, NR-16, NR-33 e NR-35 para identificar, avaliar e controlar perigos

Operações de hidrojateamento

Gestão de riscos no hidrojateamento: como identificar, avaliar e controlar os perigos com base na NR-1, NR-16, NR-33 e NR-35

O hidrojateamento (ou jateamento de água de alta pressão) é uma atividade com riscos graves: cortes profundos, forças de reação, ruído, exposição a químicos e materiais biológicos, e possibilidade de acidentes em espaço confinado ou em altura. Por isso, o processo de gestão de riscos deve ser sistemático, documentado e revisado regularmente, em conformidade com as normas regulamentadoras.
Este artigo mostra, passo a passo, como:

  • Identificar os riscos da operação de hidrojateamento
  • Avaliar a gravidade e a frequência da exposição
  • Aplicar a hierarquia de controle para minimizar os perigos
  • Realizar manutenção e revisão das medidas de controle
  • Seguir recomendações de segurança específicas para operadores

Todo o conteúdo é alinhado à lógica das normas brasileiras de segurança (NRs), com destaque para:

NR-1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO/PGR)

NR-16 – Atividades e Operações Perigosas

NR-33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados

NR-35 – Trabalho em Altura


1) Identificação dos riscos no hidrojateamento

O primeiro passo da gestão de riscos é identificar todos os perigos que podem causar danos às pessoas. Na operação de hidrojateamento, isso deve ser feito por:

Inspeção do local de trabalho para avaliar condições físicas, acesso, espaço confinado, presença de terceiros, etc.

Observação do trabalho em execução e conversa com os trabalhadores sobre como a tarefa com jato de água é realizada na prática.

Inspeção das instalações e equipamentos usados nas operações de hidrojateamento de alta pressão.

Revisão dos procedimentos de segurança e dos manuais de instruções do fabricante do equipamento.

Conversa com fabricantes e fornecedores sobre melhores práticas para atividade de hidrojateamento.

Registro de todos os incidentes e geração de relatórios com investigações precisas.

Este processo está alinhado ao subitem 1.5 da NR-1, que exige que a organização implemente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), com identificação de perigos e avaliação de riscos como etapas fundamentais.

Exemplos de riscos na operação de hidrojateamento

Alguns perigos frequentes incluem:

Risco

Descrição breve

Corte e forças de reação

Jatos de água de alta pressão podem causar cortes graves e gerar forças de reação que perdem o controle do equipamento.

Restos de materiais jateados

Detritos e partículas removidas da superfície podem atingir os operadores ou terceiros.

Produtos químicos e materiais biológicos

Exposição a químicos perigosos e agentes biológicos presentes no material removido.

Ruído

Operação de equipamentos de alta pressão gera ruído que pode causar danos auditivos.

Trabalho em altura

Operações realizadas acima de 2,0 m do nível inferior, com risco de queda, devem seguir a NR-35.

Espaço confinado

Operações em tanques, reservatórios, tubulações, poços e outros locais com acesso limitado devem seguir a NR-33.

Atividades perigosas

A operação de hidrojateamento pode ser enquadrada como atividade perigosa conforme a NR-16, especialmente quando associada a equipamentos de alta pressão e riscos adicionais.

2) Avaliação dos riscos no hidrojateamento

A avaliação de risco ajuda a:

  • Identificar quais trabalhadores estão em risco;
  • Determinar quais fontes e processos estão causando os riscos;
  • Identificar que tipo de medidas de controle devem ser implementadas;
  • Avaliar a eficácia das medidas de controle existentes.

Este processo é parte obrigatória do GRO/PGR da NR-1, que exige que a empresa elabore, implemente e mantém um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) com etapas de identificação de perigos, avaliação de riscos e definição de medidas de controle.

Perguntas chave para a avaliação

Use estas perguntas como guia na avaliação:

  • Com que frequência e por quanto tempo a exposição ao risco ocorre?
  • A exposição é considerada grave, moderada ou leve?
  • Qual é o material a ser jateado?
  • Quais são os revestimentos de superfície dos itens que estão sendo jateados? Contém material tóxico? É reativo?
  • Quais são as condições em que as operações de hidrojateamento estão sendo realizadas? Por exemplo: são realizadas em espaço confinado?
  • Quais são as habilidades, competências e experiência dos operadores?
  • A operação envolve trabalho em altura (diferença de nível acima de 2,0 m)? Se sim, deve ser feita Análise de Risco (AR) conforme a NR-35, considerando condições meteorológicas, sistemas de proteção, resgate, etc.
  • A operação envolve espaço confinado (tanques, reservatórios, tubulações, poços)? Se sim, deve ser feita Análise de Risco (AR) e, quando aplicável, Permissão de Entrada e Trabalho (PET) conforme a NR-33.

Se a atividade de hidrojateamento seja enquadrada como perigosa conforme a NR-16, a empresa deve assegurar as complementações previstas na norma, como adicional de periculosidade e medidas específicas de proteção.

3) Controle dos riscos: hierarquia de controle aplicada ao hidrojateamento

Algumas medidas de controle são mais eficazes do que outras. A hierarquia de controle classifica as medidas do mais alto nível de proteção e confiabilidade para o mais baixo.

Este conceito está alinhado ao item 1.5 da NR-1, que exige que as medidas de controle sejam adotadas conforme hierarquia, priorizando:

  • Eliminação do risco
  • Medidas de proteção coletiva
  • Medidas de proteção individual (EPI)
  • Medidas administrativas e organizacionais

3.1 Eliminar o risco

Eliminar o risco significa remover o perigo ou o trabalho perigoso do local de trabalho. É a medida de controle mais eficaz e deve ser considerada antes de qualquer outra.

Se não seja possível eliminar o risco, considere:

Substituição

Isolamento

Controles de engenharia

Ou uma combinação dessas medidas.

3.2 Minimizar o risco

Substituição

Minimize o risco substituindo um método de trabalho perigoso por um mais seguro.

Isolamento

Minimize o risco isolando ou separando o perigo de pessoas, por exemplo:

Instalação de telas ou barreiras ao redor das operações de jateamento de água.

Controles de engenharia

Controles de engenharia são medidas físicas para minimizar o risco, como:

Controlar o jato de água mecanicamente;

Usar dispositivos que limitam pressão, ângulo ou alcance do jato.

3.3 Controles administrativos

Se o risco ainda permanece, o coordenador da operação deve minimizar o risco remanescente, tanto quanto for razoavelmente possível, usando:

Controles administrativos – métodos ou processos de trabalho para minimizar a exposição, como:

  • Revezamento de trabalhadores;
  • Distribuição de tarefas para reduzir períodos prolongados de operação com ferramentas de movimentação manual repetitivas.

Controles administrativos devem ser considerados:

Quando não é possível aplicar medidas de controle de ordem superior;

Ou para aumentar a proteção ao perigo.

Na NR-35, os controles administrativos aparecem de forma explícita na exigência de supervisão para trabalho em altura, procedimentos operacionais para atividades rotineiras e Permissão de Trabalho (PT) para atividades não rotineiras. Na NR-33, os controles administrativos incluem procedimentos para entrada em espaço confinado, supervisão, treinamento específico dos trabalhadores e Permissão de Entrada e Trabalho (PET) [NR-33].

3.4 Equipamento de Proteção Individual (EPI)

Qualquer risco remanescente deve ser minimizado, tanto quanto possível, através do fornecimento e garantia do uso de:

EPIs – que serão sempre a última medida na hierarquia de controles.

Exemplos de EPIs para hidrojateamento:

  • Óculos de segurança;
  • Proteção auditiva;
  • Capacete de segurança com protetor facial;
  • Roupas de alta visibilidade;

Outros EPIs indicados pelo fabricante e pela avaliação de riscos.

Na NR-35, o EPI para trabalho em altura inclui cinturão de segurança tipo paraquedista, talabarte com absorvedor de energia, dispositivos trava-queda, entre outros, com exigências de inspeção inicial, rotineira e periódica.

Na NR-33, os EPIs para espaço confinado incluem equipamentos de monitoramento de atmosferarespiratórioscapacetesluvasroupas de proteção e equipamentos de comunicação, conforme o risco identificado na AR.

3.5 Combinando medidas de controle

Na maioria dos casos, a combinação de medidas de controle oferece a melhor solução para reduzir o risco ao menor nível possível.

Verifique sempre se as medidas escolhidas:

  • Não criaram novos perigos;
  • São compatíveis entre si;
  • São adequadas às condições reais da operação.


4) Manutenção e revisão das medidas de controle

As medidas de controle implementadas para proteger a saúde e segurança devem ser revistas regularmente para garantir que são eficazes, inclusive quando há mudança no local de trabalho.

Se uma medida de controle não está funcionando de forma eficaz, deve ser revisada para que se torne eficaz no controle do risco.

Este requisito está previsto no item 1.5 da NR-1, que exige monitoramento e revisão do GRO/PGR, especialmente quando:

  • Ocorrem lesões ou doenças relacionadas ao trabalho;
  • Há alterações nas operações, técnicas ou locais de trabalho;
  • Surgem novas informações sobre riscos ou medidas de controle.

Quando revisar as medidas de controle

As medidas de controle devem ser revisadas, por exemplo:

  • Quando uma lesão ou doença ocorre devido à exposição de um trabalhador a um risco não avaliado anteriormente;
  • Antes de fazer alterações na forma das operações de hidrojateamento;
  • Antes de entrar em novas plantas ou utilizar novas técnicas de jateamento;
  • Se novas informações indicarem que uma medida de controle não adotada não é eficaz;
  • Quando houver alterações na área em que se realiza o trabalho.

As medidas de controle devem ser revisadas em conjunto com os trabalhadores, que frequentemente identificam e propõem soluções rápidas para os problemas quando ocorrem.

Na NR-35, a Análise de Risco (AR) deve ser revisada sempre que houver mudanças nas condições do trabalho, e a Permissão de Trabalho (PT) deve ser encerrada e arquivada, permitindo rastreabilidade por no mínimo 5 anos.

Na NR-33, a Análise de Risco (AR) e a Permissão de Entrada e Trabalho (PET) devem ser revisadas sempre que houver mudanças nas condições do espaço confinado, e a PET deve ser arquivada por no mínimo 5 anos.

Como revisar

As medidas de controle devem ser verificadas usando os mesmos métodos da:

  • Identificação de perigos;
  • Avaliação de riscos inicial.

Se o risco não for eliminado ou minimizado pela medida de controle escolhida, deve-se:

  • Reiniciar as etapas de gerenciamento de riscos;
  • Analisar as informações novamente;
  • Tomar novas decisões sobre o controle de risco.


Recomendações de segurança para operadores de hidrojateamento (com NR-1, NR-16, NR-33 e NR-35)

Quem estiver usando equipamento de hidrojateamento deve seguir estas recomendações de segurança, alinhadas às normas:

Equipamentos necessários nas proximidades das operações de jateamento devem ser blindados ou protegidos de detritos e de entrada de água.

Qualquer instalação elétrica essencial deve atender aos níveis de proteção necessários contra entrada de água ou detritos.

Pessoas não autorizadas devem ser mantidas fora das áreas de trabalho através de barreiras físicas (duras).

As atividades de trabalho devem ser planejadas para fornecer acesso seguro ao equipamento e ao item ou superfície a ser hidrojateada.

Operadores devem estar em posição segura e equilibrada antes de iniciar as operações de hidrojateamento.

Operações de hidrojateamento não devem ser realizadas a partir de escadas ou outras superfícies não destinadas à utilização por trabalhadores, pois isso pode levar à:

  • Perda de controle do equipamento de jateamento;
  • Queda do trabalhador ou do equipamento.

Esta última recomendação está diretamente alinhada à NR-35, que proíbe trabalho em altura a partir de escadas quando há risco de queda e exige que o trabalho seja planejado, com AR, PT (quando aplicável), sistemas de proteção contra quedas e plano de resgate.

Operadores devem verificar que não haja interrupção ou interferência com o mecanismo de liberação de controles de mão ou do pé que poderia parar o equipamento, operando com segurança e de acordo com as especificações do fabricante.

A operação de hidrojateamento deve parar quando:

  • As condições mudam ou novos perigos são introduzidos;
  • Pessoas não autorizadas entram na área de trabalho;
  • Os procedimentos de segurança não estão sendo seguidos;
  • Ocorre uma avaria no sistema.

O sistema de hidrojateamento deve ser despressurizado:

  • Quando não estiver em uso;
  • Ou quando componentes estão sendo substituídos ou reparados.

Se a atividade de hidrojateamento seja enquadrada como perigosa conforme a NR-16, a empresa deve assegurar o adicional de periculosidade e as medidas específicas de proteção previstas na norma.

Se a operação de hidrojateamento seja realizada em espaço confinado, devem ser seguidas as exigências da NR-33, incluindo:

  • Análise de Risco (AR) específica para espaço confinado;
  • Permissão de Entrada e Trabalho (PET);
  • Monitoramento de atmosfera antes e durante a entrada;
  • Vigilante dedicado para espaço confinado;
  • Equipamentos de resgate e plano de resgate específicos;
  • Treinamento específico para trabalhadores que entrarem em espaço confinado.


5) Referências às NRs destacadas

NR-1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO/PGR)

Exige identificação de perigos e avaliação de riscos como etapas do GRO.

Define hierarquia de controle: eliminação proteção coletiva EPI medidas administrativas.

Exige monitoramento e revisão do PGR quando ocorrem lesões, doenças, alterações nas operações ou novas informações sobre riscos.

NR-16 – Atividades e Operações Perigosas

Enquadra atividades com equipamentos de alta pressão como perigosas quando associadas a riscos adicionais.

Exige adicional de periculosidade para trabalhadores expostos.

Requer medidas específicas de proteção conforme o risco identificado.

NR-33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados

Exige Análise de Risco (AR) específica para espaço confinado.

Requer Permissão de Entrada e Trabalho (PET) para entradas em espaço confinado.

Exige monitoramento de atmosfera antes e durante a entrada.

Requer vigia dedicado para espaço confinado.

Exige equipamentos de resgate e plano de resgate específicos.

Requer treinamento específico para trabalhadores que entrarem em espaço confinado.

NR-35 – Trabalho em Altura

Define trabalho em altura como qualquer atividade acima de 2,0 m do nível inferior.

Exige Análise de Risco (AR) para trabalho em altura.

Requer Permissão de Trabalho (PT) para atividades não rotineiras.

Proíbe trabalho em altura a partir de escadas quando há risco de queda.

Exige sistemas de proteção contra quedas (cinturão paraquedista, talabarte, trava-queda).

Requer plano de resgate específico para trabalho em altura.

Exige treinamento específico mínimo de 8 horas para trabalhadores que realizam trabalho em altura.


Sinais nas operações com hidrojateamento

O uso de sinais de segurança adequados é essencial para alertar sobre os riscos de jato de alta pressão, corte, ruído e presença de terceiros.

A imagem abaixo mostra os sinais recomendados para operações com hidrojateamento:

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